2005-01-20

Machadinho

Malditos mestres do meu remoto primário que me permitiram cumprir os anos sem cobrar-me com mais ênfase as leituras obrigatórias. Não entendam essa maldição como um desejo real de infortúnios, mas como um desabafo. Por culpa dessa lacuna, tive que esperar chegar quase a metade da minha existência (isso porque hei de contar os cem verões) para ter o incomensurável prazer de passar os olhos por este autor cáustico, humorado, que produz cinismo com construções fantásticas, e sabe usar as palavras como poucos que já li. Destaco -- correndo o risco de ser prolixo -- que por conta dessa biltragem eu poderia ter acabado mais uma vítima da onda insciente que assola nosso tempo; de fato, não fora uma influência subliminar do ramo materno, amante das letras, e quem sabe teria eu passado pelo século sem atinar tantos questionamentos; afinal, porque bonita, se coxa? porque coxa, se bonita?

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