Sou contra qualquer tipo de proibição. Lamento viver em um país onde é proibido o aborto, proibido usar (algumas) drogas, proibido reclamar demais... Tem suas compensações. Ainda bem que é proibido atropelar pessoas, violência, estupro, maus tratos. Algumas regras precisam ser respeitadas para o convívio em sociedade. Se todos tivessem bom senso não precisava. Mas uma comunidade é composta de muitas pessoas diferentes. Tem os bandidos, tem os honestos, e tem todo o universo entre esses dois, onde todos nós estamos.
Agora somos obrigados a votar (é proibido, também, abster-se) na lei que proibe o comérclo de armas de fogo. Proibir é ruim, arma também é ruim. E agora?
Esse referendo talvez tenha começado como uma manobra do governo para "desviar a atenção". Se foi não deu muito certo. Acabou virando um referendo ao governo Lula. Sinceramente, não acredito que toda essa campanha seja entre anti-belicistas e a indústria armamentista. Tanto empenho não se justifica pelo fator econômico. Quanto movimenta a industria e comércio nacional de armas leves? Uma merreca, no máximo. Então deve haver outra motivação pra tanta polêmica. Só consigo ver, de um lado gente que acha que paz sem justiça é bom, e do outro um bando de interesses escusos usando maquiagem.
Sei que uma lei contra o comércio de armas pode ser totalmente inócua, já que no Brasil tem leis que simplesmente 'não pegam'. Também, mesmo que a lei seja cumprida, isso não vai abalar a estrutura do poder paralelo que existe no país. O comércio ilegal de fuzís, bazucas e granadas vai continuar. As armas que estão circulando não serão recolhidas, o comércio de segunda mão vai continuar. Pois então, se os traficantes vão continuar se armando, se o pobre vai continuar conseguindo descolar um revorvinho de segunda mão, se quem tem muita grana vai continuar comprando sua pistolinha chique na Europa, a quem afeta essa proibição?
Tem um tipo de gente que gosta de andar com cachorros grandes e malvados, acelerar carrões potentes, segurar numa arma de fogo. Para mim, atitudes assim sempre foram sinal de afirmação de machos frustrados por problemas sexuais. Quase sempre o problema é psicológico ou cultural, e ocorre mais na classe média, que tem poder aquisitivo para isso e sabe que é feio bater na mulher. Um fenômeno mais ou menos localizado, que até ganhou nome próprio: "pleiba", entre muitos outros. E não são somente adolescentes em busca de afirmação. Muita gente 'madura' precisa ter uma arma de fogo em casa para se defender do ladrão, até quem sabe que essa bala tem mais chances de ferir um membro da família que um bandido. O micro-empresário bem-sucedido precisa uma arma no carro pra se defender, mas esta arma vai acabar disparando contra um desafeto recém criado numa briga de trânsito. O jovem de boa família, que frequenta a balada e se sente inseguro na madrugada, vai acabar levando um tiro por reagir a um assalto ou vai tentar desafiar seu traficante por se achar injustiçado.
Eu continuo não gostando de armas de fogo. Na minha mão ou na dos outros. Vou continuar com medo de assalto. Vou continuar me assustando com barulhos no sótão. Mas vou me distinguir dos bandidos de verdade, porque vou andar desarmado e contra o uso e comércio. E vou usar, pra me defender, as armas que eu acho cabíveis agora: meu voto e minha palavra. No momento que eu achar que pegar em armas vai mudar alguma coisa, não vai ser uma iniciativa individual, e lei nenhuma vai nos parar.
2005-10-20
Sim, eu tenho arma
Postado por
Unknown
às
17:23
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3 comentários:
Assino embaixo! P
esse referendo se tornou uma grande palhaçada. mais um jogo político pra encher bolsos (o meu continua vazio). certamente tem um outro interesse escondido por trás disso tudo, que vai além do que dizem. quem quizer ter arma vai continuar tendo, com SIM ou com NÃO.
É isso. Passou a votação e o comércio continua legal, como sempre foi. Se já não ia mudar nada com a proibição, agora fica oficialmente tudo como estava. O governo tomou um não, e ninguém precisa se sentir castrado.
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