2005-06-20

Temporada cultural, só temporada

Quem chegou na Ilha em junho e viu mostra de teatro, festival de cinema, de música, shows e até protestos de rua e repressão policial deve ter ficado com uma impressão errada. A gente que mora aqui sabe que tem que aproveitar porque não é sempre. A cidade é fraca em cultura, não tem um circuito onde as pessoas possam se encontrar, as comunidades são ainda específicas e pequenas.

Domingo fui no show da Fernanda Abreu, acústico, mas como eu imaginava, ela não conseguiu fazer um som que não fosse dançante. E o auditório do centro de convenções da UFSC, a exemplo do do CIC, não comporta shows dançantes. Até aí, tudo bem, falta de espaços apropriados é um problema comum. Depois do show eu e algumas pessoas que encontrei quizemos confraternizar, tomar umas e trocar impressões. Parecia simples, encontrar um bar aberto no bairro mais populoso da cidade, perto da universidade.

Naquela quadra tem uns dez botecos, só dois estavam abertos. Tudo bem, um bastava. “Acabou a cerveja”, não faz mal, a gente não queria cerveja, “só tinha cerveja”. No outro, “estamos fechando porque acabou a cerveja”. Mesma história. Que coincidência! Dez e meia da noite, recém. A choperia e a cachaçaria devem estar fechadas. Tem aquele no Córrego Grande, e no caminho tem outros, vamos lá. Fechado, todos fechados. Santa Mônica? Tudo fechado. Opa! Um luminoso, uma porta aberta com mesas e um balcão. Buzina, sinal de luz, é aqui. “Não podemos vender bebida alcoólica, só tem café e energético”. Era uma lan-house. Pelo menos o café era bom. Deu pra segurar até a meia-noite, hora em que eu lembro que tudo é passageiro. E tomo o ônibus pra praia.

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